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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Exposição "Franz Weissmann - O Vazio Como Forma"

Período de Exposição: 27 de Novembro de 2019 à 09 de Fevereiro de 2020.
Local: Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 - São Paulo)

A exposição das obras de Weissmann traz um olhar significativo aos espaços vazios presentes em suas obras. O que sempre me chamou a atenção no trabalho deste artista foi a forma como ele explora a profundidade nas imagens em duas e três dimensões. É através do conceito de "Vazio" que o curador Felipe Scovino traz esta reflexão. 
O efeito visual que surge pode ser notado enquanto o expectador percorre o espaço onde as esculturas de Weissmann. Scovino afirma que esta é uma "pesquisa construtiva, levando a escultura a bailar como um desenho no espaço". 
Franz Weissmann chega ao Brasil com 10 ano em 1921, imigrante austríaco que percorreu São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro onde pode se estabilizar com sua família, após trabalhar com agricultura e carroceria. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro e após o convite de Guignard, mudou para Minas Gerais para lecionar na Escola do Parque, dando aulas para Amilcar de Castro e Mary Vieira. 
Durante a exposição pode-se notar como este artista foi referência para o trabalho Bichos de Lygia Clark, que traz uma  busca além do olhar do expectador. 
O ateliê de Weissmann em Ramos, Rio de Janeiro, mostra como o artista explorou de forma infinita as possibilidades do Vazio através de diferentes matérias (metal, madeira... esculturas, desenhos...).
Outro fator importante no trabalho de Weissmann é o uso da cor em suas esculturas, pois ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a cobrir suas obras com cores. Até mesmo a questão da ferrugem do material escolhido tem o princípio da cor:
Uma série de trabalhos que me chamou muito a atenção são as telas de metal Sem Título que trazem um olhar para a textura e os vãos que elas formam conforme foram amassadas. É como construir uma pintura sem usar pincel para trazer a tridimensionalidade de diferentes maneiras.
Mas, minha parte favorita da exposição está no olhar inclusivo que as exposições de arte vem abordando nos últimos anos. O Itaú Cultural criou legendas em Braile, explicações em áudio e vídeos em libras para seu público. Havia réplicas de algumas esculturas de Weissmann para os visitantes tocarem e explorarem o posicionamento das obras e também dos desenhos e pinturas dos artistas, onde o expectador podia passar a mão e sentir a imagem, compreendendo suas formas, cores e texturas que nos desenhos são bidimensionais. 
Para aqueles que gostaram do pouco que contei, vale a pena visitar a exposição das obras deste artista que ficará até Fevereiro de 2020 no Itaú Cultural. Já aqueles que acham que já viu alguma obra desse artista, segue a lista de obras dele que estão em São Paulo:
1 - Cantoneiras, 1975 - Frente ao MAM/SP no Parque do Ibirapuera.
2 - Grande quadrado preto com fita, 1985 - Próximo ao Pavilhão da Bienal de São Paulo no Pq. Ibirapuera.
3 - Estrutura em Diagonal, 1978 - FAAP, Higienópolis.
4 - Estrutura Vazada, 1978 - FAAP, Higienópolis.
5 - Portal, 1991 - Banco Itaú, Parque Jabaquara.
6 - Flor de Aço, 1986 - Banco Itaú, Parque Jabaquara.
7 - Diálogo, 1979 - Praça da Sé.
8 - Cubo em Diagonal, 1978 - Edifício Pedro Biagi, Av. Paulista,460.
9 - Fita, 1985 - Pinacoteca do Estado de São Paulo.
10 - Grande Flor Tropical, 1989 - Memorial da América Latina, Barra Funda.
11 - Cubo Azul, 1978 - 2011 - Pq. Prefeito Mário Covas, Av. Paulista,1853.
E se nunca perceberam estas obras, vale a pena dar um instante de atenção ao passar por estes lugares!

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